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Deputados do PS alertam na Amadora para "efeitos negativos" da privatização da EGF

Deputados socialistas alertaram hoje para “os efeitos negativos” da privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), nomeadamente no que isso pode significar ao nível da falta de transferências de contrapartidas sociais para os municípios.

Os parlamentares visitaram hoje áreas de reabilitação urbana na Venda Nova, Amadora, concelho onde a autarquia recuperou um espaço industrial para instalar o Parque da BD - Turma da Mônica/Maurício de Sousa com contrapartidas da Valorsul.

Esta empresa responsável pelo tratamento de resíduos de 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste é participada pela EGF, "sub-holding" do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, que o Governo quer privatizar.

"Houve uma intervenção social da Valorsul, que só foi possível no quadro da estrutura acionista dos municípios", salientou o deputado António Ramos Preto, presidente da comissão parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, referindo-se aos mais de 670,4 mil euros investidos no novo parque de seis mil metros quadrados.

"O Governo quer transferir as contrapartidas para os municípios, usadas em benefício das populações, como lucros para os privados", acusou Marcos Perestrello, presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS.

O parque da Mônica foi construído no espaço da antiga Fábrica da Cultura, onde se realizava o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Os materiais que resultaram do desmantelamento das estruturas foram reciclados e serviram para a construção dos bancos, pavimentos e equipamentos do jardim, povoado com os bonecos concebidos por Maurício de Sousa.

A presidente da Câmara da Amadora, Carla Tavares (PS), explicou que a escolha do espaço para instalar o parque pretendeu "prolongar a ligação da banda desenhada com a cidade" e permitiu criar uma nova área de lazer para a população.

Ramos Preto, que já foi presidente da Assembleia Municipal da Amadora, defendeu a necessidade do Governo auxiliar as autarquias na reabilitação urbana de bairros como a Cova da Moura, na Amadora, ou do Lagarteiro, no Porto, por se tratar "de intervenções pesadas" para os orçamentos municipais.

Carla Tavares, por seu turno, destacou o esforço camarário na requalificação urbana. Numa primeira fase foram demolidos os núcleos degradados das Fontainhas, Portas de Benfica, Bairro Azul e Alto dos Trigueiros.

Segundo o recenseamento do Programa Especial de Realojamento (PER) foram identificadas nestes bairros 895 famílias residentes em 571 construções.

O realojamento, principalmente no Casal da Boba, representou um investimento de 18 milhões de euros.

A par das demolições, a autarquia requalificou o edificado e espaços comerciais numa das principais entradas da cidade, na envolvente da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL).

A "Porta da Amadora" assumiu-se como marco de entrada num novo espaço urbano qualificado, uniformizando a imagem dos estabelecimentos e da sinalética.

Na reabilitação do acesso pedonal às zonas comerciais, reforço da iluminação e soluções da nova identidade urbana foram investidos cerca de 225 mil euros.

A intervenção, de acordo com Carla Tavares, vai prosseguir com a requalificação de zonas envolventes da Rua Elias Garcia.

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